quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Debate Lacerda x Quintão

Saí mais cedo da faculdade, matei um horário (que me custa caro) e cheguei em casa depois de 2 horas da manhã.
Pra quê?
Para assistir ao debate, ou melhor ao espetáculo do circo armado candidatos a prefeitos de BH e transmitido pelos Diários Associados.
As acusações que foram de plágio à improbidade administrativa desanimaram os futuros jornalistas que lotaram o auditório do Teatro Alterosa e saíram de lá apenas com uma certeza: se o prefeito eleito agir em sua administração como agiram no palanque, estamos todos fadados à assistir cenas de novelas na nossa realidade cotidiana.
Sim, com direito à fotos e autógrafos, pois foi isso que aconteceu após o debate. Alguns foram tirar fotos com os candidatos, como se estivessem encontrando com um artista de que é fã.
Aí questiono mais uma coisa: como será o futuro de nossa profissão (jornalismo) se enquanto estudante agimos assim?
Além das trocas de farpas e das respostas não dadas, tivemos ainda uma nítida "proteção" da organização do evento com alguns partidários de Lacerda. Apesar do portal uai de hoje comentar em sua matéria que os estudantes se manifestaram pouco diante do debate, essa manifestação foi a todo momento proibida sob ameaça de expulsão do teatro. No entanto um grupo menor que se sentou ao fundo do teatro chegou a distribuir adesivos do candidato e ainda manifestaram-se várias vezes com pouca repercussão diante do público, mas absolutamente nada foi feito para impedir.
No entanto quando as manifestações foram de coro, houve intervensão rápida e coersitiva, que não surgiria tant efeito se todos se mantivessem com a mesma postura.
Além de tudo isso, fomos obrigados à assistir um ator e um dublê (como chamaram um ao outro) tentando nos convencer de quem é menos pior...
Ficou difícil, afinal não estamos fazendo um filme, estamos escolhendo o prefeito de uma das mais importantes cidades brasileiras, mas parece que eles se esqueceram disso!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Estado de Minas: Quintão x Lacerda, por Aécio Neves

Aécio Neves deu uma entrevista de uma página para o Estado de Minas deste domingo.
O assunto, é claro, seu apoio ao candidato à prefeitura em segundo turno Márcio Lacerda.

É claro que nosso governador tem todo o direito de apoiar quem quiser e defender seu apoio. Inclusive nem estou aqui julgando se esta escolha de um "lado" trata-se ou não de conveniência ou afronto a democracia (por mais que seja interessante pensar sobre isso).

O que gostaria de entender está única e exclusivamente expressa na entrevista que ele deu ao jornal que ... enfim, vamos aos fatos.

Tenho 3 opções: 1 - eu não compreendi o que nosso governador disse.
2 - Ele entrou em contradição.
3 - Ele não está conseguindo separar seu papel de aliado político forte e importante e seu papel de representante do estado e em consequência da população de Minas Gerais.

Explico minha dúvida.
Pelo o que entendi do que o governador disse, ele acredita que Márcio Lacerda é o ÚNICO candidato com os requisitos necessários para dar "continuidade" na parceria entre prefeitura e governo do Estado. Porém ele também afirmou que caso seu candidato não vença as eleições, aceitará a situação. Disse ainda que há uma diferença quando o opositor de seu candidato(Leonardo Quintão)diz que contará com a parceria do governo. Segundo Aécio (sob a ótica do meu entendimento) Lacerda será o eleito para dar continuidade ao processo de crescimento contínuo e forte de BH e Quintão será apenas o prefeito que como todos os outros terá o apoio inevitável de um governador. Porém o próprio Aécio lembrou que NÃO apoiou Pimentel quando foi eleito (prefeito atual, do PT, e hoje seu aliado na campanha por Márcio)e ele no entanto tornou a bandeira aliada em torno de um objetivo comum.

Bom tendo em vista estas colocações faço algumas indagações e deixo outras para os leitores.

Se Aécio não apoiou Pimental quando este era canditado da prefeitura e tornou-se um grande parceiro, isso me leva a crer que pela mesma lógica, ele faria o mesmo com outro prefeito. Portanto usando este argumento (que é do próprio Aécio) seria incoerente dizer apenas um ou outro candidato poderia dar continuidade à uma parceria, principalmente quando se lembra do sonho do Palácio do Planalto, ou ainda quando se sabe e como ele mesmo disse que independente de quem se eleger o trabalho maior tem que ser pelo bem comum, portanto o eleitorado não precisa se preocupar, LAcerda não mente quando fala do apoio do governador, e nem Quintão.

Sendo assim devo ser redundante e dizer que o governador do estado, segundo seus próprios dizeres não possui um "preferido". Mas o Aécio, político, tem, e este é o Márcio Lacerda. Mas será que é imprensão minha, ou as coisas são e estão misturadas neste contexto?
Inclusive a entrevista que cita o GOVERNADOR se principalmente do seu apoio veemente à um candidato de BH .

E só pra terminar, Aécio também disse que Quintão não tem experiência administrativa para comandar a cidade, porém Lacerda também não tem a experiência política. Nestas incógnitas deve-se confiar apenas na palavra do governador? Por que se entrevistou o Aécio e não Lacerda?
e quando será a entrevista de um defensor de Lenardo Quintão?

São coisas que o jornalismo defende e eu gostaria de ver!

domingo, 5 de outubro de 2008

Comentário breve, suscinto e essencial

As pessoas pensam e não seguem de cabeça baixa o que a mídia diz, afinal de contas ter um segundo turno nas eleições de BH, até era esperado... . mas com a diferença de apenas dois pontos percentuais (43% dos votos a Lacerda e 41% a Quintão) realmente é um dado importante.
Agora não será possível evitar debates e enfrentamentos diretos, espero que com isto o melhor para BH aconteça, independente de quem sairá na frente no dia 15 de novembro, afinal este é o valor da democracia (espero também que a mídia se lembre disso!)

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

escrito dia 24 de setembro

Jeitinho brasileiro.

"Exonerada volta sem concurso", este é o título da matéria publicada hoje no jornal Estado de Minas, na primeira página do caderno Política.
A matéria relata que após um mês da demissão, por nepotismo, do Tribunal de Contas do Estado, Aline Riera Toledo, filha do conselheiro do TCE Simão Pedro Toledo foi mais uma vez contratada sem concurso público, agora para a Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Ao ler a matéria questiono vários pontos que vão desde a questão do nepotismo em si, a maneira que este fato é tratado pela imprensa, até a questão do jeitinho brasileiro, que continua sendo uma marca da nossa malandragem que escapa a imagem do sambista tranquilo de terno e chapéu brancos.

Sem intensão de fugir da polêmica, deixo a discussão do nepotismo para outro momento.
Quanto a abordagem midiática do assunto deixo para intensão de outros textos no meu blog.
Aproveito aqui a discussão deste último tema, não por ser mais brando (pois não é), mas simplesmente por preocupar-me profundamente com a proximidade do dia 5 de outubro.

Roberto da Mata, em seu livro "O que faz do Brasil, brasil?' diz que legitimamos muitas vezes o que é ilegal, pois nossa unidade coercitiva é inadequada para nossa realidade individual: somos uma Belíndia, (temos as leis e impostos da Bélgica, realidade social da Índia). Por isso achamos natural o dinheiro e o status social serem o passaporte primordial de entrada seja no cinema, hotel, aeroporto ou mesmo para a "fuga" da prisão. Temos a visão marqueteira de que que cada cliente tem o que merece e por isso legitimamos a busca desenfreada para merecermos mais. Assim, achamos interessante votar não em que achamos mais competente e sim naquele que possui maior probabilidade de me arrumar um emprego nos órgãos públicos.
E o nepotismo?
E o ofício de Garibaldi enviado aos senadores cobrando a demissão dos familiares contratados até dia 10 de outubro? E o papel do Ministério Público de punir os casos "teimosos"?

Pois é ... é o jeitinho!

OBS>: dia 25 de setembro... a referida foi exonerada novamente, segundo o mesmo jornal

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

o que é o jornalismo

Vejam a matéria na íntegra do site uai, divulgada ontem 17/09/08,
disponivel em: http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2008/09/17/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=79848/em_noticia_interna.shtml


Preso motoqueiro que escondia celulares no ânus para distribuir para presos
Ricardo Carlini - TV Alterosa


Está preso o motoqueiro suspeito de distribuir celulares nos presídios
da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo os militares da
Rotam, ele colocava os aparelhos no ânus. O motoboy tinha um esquema
com uma loja de telefones na rua Curitiba, no Centro de BH.

No local, a polícia apreende R$ 9 mil em dinheiro, R$ 40 mil em
cheques e 300 celulares sem procedência. Haja ânus para carregar tudo
isso.


Depois de ler, copiar aqui, reler e resolver postar no blog, ainda não
acredito ter visto esta matéria, de um grupo renomado e que é o
principal grupo de Comunicação em Belo Horizonte: Associados MG.
O nível de comentário feito por Ricardo Carlini envergonha a classe
jornalística a ponto de bloquearem as palavras que saem das minhas
mãos neste momento...

Basta, as palavras (que não são minhas) falam por si só.
e eu me pergunto: ainda vale a pena fazer jornalismo?

sábado, 30 de agosto de 2008

200 ANOS DE IMPRENSA

NA COMEMORAÇÃO DOS 200 ANOS DE IMPRENSA É PRECISO REFLETIR SOBRE O QUE É O JORNALISMO, COMO ELE SE COMPORTA E QUAL A SUA FUNÇÃO. A IMPRENSA PASSA POR MODIFICAÇÕES NESTE MOMENTO E NO MÍNIMO É NECESSÁRIO QUESTIONAR NOSSA HISTÓRIA E NOSSO DRAMA.

VÁRIOS AUTORES DISCUTEM O TEMA, VALE A PENA CITAR ALGUNS:

IGNÁCIO RAMONET, EM SEU LIVRO TIRANIA DA COMUNICAÇÃO, DIZ QUE SER JORNALISTA HOJE É UM DESAFIO. EUGÊNIO BUCCI, EM SEU LIVRO VIDEOLOGIAS, MOSTRA QUE O MUNDO DO JORNALISMO NA TV ESTÁ CADA VEZ MAIS TEATRAL, IDÉIA COMPARTILHADA POR JOSÉ ARBEX JÚNIOR, NO LIVRO SHOWNARLISMO, ONDE MOSTRA JÁ NO TÍTULO, O DESAFIO QUE A PROFISSÃO PASSA ATUALMENTE. O LIVRO A SÍNDROME DA ANTENA PARABÓLICA, DE BERNARDO KUCINSKI, EXEMPLIFICA SITUAÇÕES ONDE A FILOSOFIA INDUSTRIAL SUPERA O DEVER DA INFORMAÇÃO. FATO EXPLICADO TAMBÉM NO ARTIGO DO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, DE ALBERTO DINES (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=500JDB001): “a palavra indústria aplica-se ao conjunto de pessoas, processos e maquinário envolvido no fabrico de determinado produto. Tudo bem: indústrias geralmente associam-se à noção de progresso, produzem lucros, lucros movimentam a economia, distribuem riquezas, promovem o bem-estar material.”. O AUTOR LEMBRA QUE A IMPRENSA É DA ESFERA PÚBLICA E POR ISSO TEM O DEVER DE SER UM PODER DE UNIÃO E REPRESENTAÇÃO DOS INDIVÍDUOS, O QUE NÃO IMPEDE LUCRO, MAS TAMBÉM NÃO PODE TÊ-LO COMO OBJETIVO PRIMORDIAL, COMO LEMBRA: “Quando a imprensa era instituição, jornais também deveriam ser lucrativos, mas nos intervalos entre balancetes e balanços havia um compromisso com o interesse público.”.

UM EXEMPLO DA INDUSTRIALIZAÇÃO E POUCA REFLEXÃO DA IMPRENSA É O FATO DE SEU ANIVERSÁRIO DE 200 ANOS PASSAR PRATICAMENTE DESPERCEBIDO.

UMA OUTRA PROVA É A PESQUISA REALIZADA E DIVULGADA PELA ABERGE SOBRE POLÍTICAS SALARIAIS DA COMUNICAÇÃO QUE TEM COMO BASE EMPRESAS COM BOAS COLOCAÇÕES NO RANKING DAS “MELHORES E MAIORES” DA REVISTA EXAME E AS “MELHORES EMPRESAS PARA SE TRABALHAR” DA REVISTA VOCÊ S.A. OU SEJA, ATÉ PARA PESQUISAS, O QUE IMPORTA É A ESCALA INDUSTRIAL E NÃO A REPRESENTAÇÃO DA GRANDE MAIORIA DOS PROFISSIONAIS DE COMINICAÇÃO.

DIANTE DE TUDO ISSO, RESTA O AMOR A IMPRENSA E A ESPERANÇA DE SE FAZER ALGO DIFERENTE, POR MAIS QUE A CADA DIA ISSO PARECE AINDA MAIS DIFÍCIL.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Mudança no consumo de informações

"Uma pesquisa que acaba de ser divulgada pelo instituto Pew Research Center for the People and the Press mostra que os consumidores de informações já não consomem passivamente as notícias publicadas pela imprensa e adotam cada vez mais uma postura investigativa e seletiva." (CASTILHO, Carlos in Mudança de hábitos de leitores gera novo desafio para as redações. Disponível em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={F40BB051-9640-4FB3-8BA0-E24C9FC9816D} )

De acordo com a notícia publicada no site Observatório da imprensa, os leitores estão buscando diversas fontes para análise e formação de opinião, dentre elas estão os blogs.

Este fato mostra que a síndrome do último minuto não está consumindo todas as cabeças e mais: as pessoas não estão tão superficiais como muitos dizem.

Sabemos que a "hipermodernidade" tão falada por Baudrilard e Lipovetsky, tem suas características verídicas quanto a falta de aprofundamento geral em diversos assuntos, e na loucura da corrida contra o tempo, porém nem tudo está perdido, e nem a salvo.

Devemos entender que a internet por exemplo, é uma ferramenta que pode ser utilizada de acordo com a vontade de quem acessa:
pode fomentar entretenimento, superfuidade e também aprofundamento e pesquisa.

Portanto está na hora de deixarmos de culpar a época, pessoas e/ou tecnologias por atitudes que são nossas, por mais que hajam intereferências.