quinta-feira, 25 de setembro de 2008

escrito dia 24 de setembro

Jeitinho brasileiro.

"Exonerada volta sem concurso", este é o título da matéria publicada hoje no jornal Estado de Minas, na primeira página do caderno Política.
A matéria relata que após um mês da demissão, por nepotismo, do Tribunal de Contas do Estado, Aline Riera Toledo, filha do conselheiro do TCE Simão Pedro Toledo foi mais uma vez contratada sem concurso público, agora para a Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

Ao ler a matéria questiono vários pontos que vão desde a questão do nepotismo em si, a maneira que este fato é tratado pela imprensa, até a questão do jeitinho brasileiro, que continua sendo uma marca da nossa malandragem que escapa a imagem do sambista tranquilo de terno e chapéu brancos.

Sem intensão de fugir da polêmica, deixo a discussão do nepotismo para outro momento.
Quanto a abordagem midiática do assunto deixo para intensão de outros textos no meu blog.
Aproveito aqui a discussão deste último tema, não por ser mais brando (pois não é), mas simplesmente por preocupar-me profundamente com a proximidade do dia 5 de outubro.

Roberto da Mata, em seu livro "O que faz do Brasil, brasil?' diz que legitimamos muitas vezes o que é ilegal, pois nossa unidade coercitiva é inadequada para nossa realidade individual: somos uma Belíndia, (temos as leis e impostos da Bélgica, realidade social da Índia). Por isso achamos natural o dinheiro e o status social serem o passaporte primordial de entrada seja no cinema, hotel, aeroporto ou mesmo para a "fuga" da prisão. Temos a visão marqueteira de que que cada cliente tem o que merece e por isso legitimamos a busca desenfreada para merecermos mais. Assim, achamos interessante votar não em que achamos mais competente e sim naquele que possui maior probabilidade de me arrumar um emprego nos órgãos públicos.
E o nepotismo?
E o ofício de Garibaldi enviado aos senadores cobrando a demissão dos familiares contratados até dia 10 de outubro? E o papel do Ministério Público de punir os casos "teimosos"?

Pois é ... é o jeitinho!

OBS>: dia 25 de setembro... a referida foi exonerada novamente, segundo o mesmo jornal

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

o que é o jornalismo

Vejam a matéria na íntegra do site uai, divulgada ontem 17/09/08,
disponivel em: http://www.uai.com.br/UAI/html/sessao_2/2008/09/17/em_noticia_interna,id_sessao=2&id_noticia=79848/em_noticia_interna.shtml


Preso motoqueiro que escondia celulares no ânus para distribuir para presos
Ricardo Carlini - TV Alterosa


Está preso o motoqueiro suspeito de distribuir celulares nos presídios
da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo os militares da
Rotam, ele colocava os aparelhos no ânus. O motoboy tinha um esquema
com uma loja de telefones na rua Curitiba, no Centro de BH.

No local, a polícia apreende R$ 9 mil em dinheiro, R$ 40 mil em
cheques e 300 celulares sem procedência. Haja ânus para carregar tudo
isso.


Depois de ler, copiar aqui, reler e resolver postar no blog, ainda não
acredito ter visto esta matéria, de um grupo renomado e que é o
principal grupo de Comunicação em Belo Horizonte: Associados MG.
O nível de comentário feito por Ricardo Carlini envergonha a classe
jornalística a ponto de bloquearem as palavras que saem das minhas
mãos neste momento...

Basta, as palavras (que não são minhas) falam por si só.
e eu me pergunto: ainda vale a pena fazer jornalismo?

sábado, 30 de agosto de 2008

200 ANOS DE IMPRENSA

NA COMEMORAÇÃO DOS 200 ANOS DE IMPRENSA É PRECISO REFLETIR SOBRE O QUE É O JORNALISMO, COMO ELE SE COMPORTA E QUAL A SUA FUNÇÃO. A IMPRENSA PASSA POR MODIFICAÇÕES NESTE MOMENTO E NO MÍNIMO É NECESSÁRIO QUESTIONAR NOSSA HISTÓRIA E NOSSO DRAMA.

VÁRIOS AUTORES DISCUTEM O TEMA, VALE A PENA CITAR ALGUNS:

IGNÁCIO RAMONET, EM SEU LIVRO TIRANIA DA COMUNICAÇÃO, DIZ QUE SER JORNALISTA HOJE É UM DESAFIO. EUGÊNIO BUCCI, EM SEU LIVRO VIDEOLOGIAS, MOSTRA QUE O MUNDO DO JORNALISMO NA TV ESTÁ CADA VEZ MAIS TEATRAL, IDÉIA COMPARTILHADA POR JOSÉ ARBEX JÚNIOR, NO LIVRO SHOWNARLISMO, ONDE MOSTRA JÁ NO TÍTULO, O DESAFIO QUE A PROFISSÃO PASSA ATUALMENTE. O LIVRO A SÍNDROME DA ANTENA PARABÓLICA, DE BERNARDO KUCINSKI, EXEMPLIFICA SITUAÇÕES ONDE A FILOSOFIA INDUSTRIAL SUPERA O DEVER DA INFORMAÇÃO. FATO EXPLICADO TAMBÉM NO ARTIGO DO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, DE ALBERTO DINES (http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=500JDB001): “a palavra indústria aplica-se ao conjunto de pessoas, processos e maquinário envolvido no fabrico de determinado produto. Tudo bem: indústrias geralmente associam-se à noção de progresso, produzem lucros, lucros movimentam a economia, distribuem riquezas, promovem o bem-estar material.”. O AUTOR LEMBRA QUE A IMPRENSA É DA ESFERA PÚBLICA E POR ISSO TEM O DEVER DE SER UM PODER DE UNIÃO E REPRESENTAÇÃO DOS INDIVÍDUOS, O QUE NÃO IMPEDE LUCRO, MAS TAMBÉM NÃO PODE TÊ-LO COMO OBJETIVO PRIMORDIAL, COMO LEMBRA: “Quando a imprensa era instituição, jornais também deveriam ser lucrativos, mas nos intervalos entre balancetes e balanços havia um compromisso com o interesse público.”.

UM EXEMPLO DA INDUSTRIALIZAÇÃO E POUCA REFLEXÃO DA IMPRENSA É O FATO DE SEU ANIVERSÁRIO DE 200 ANOS PASSAR PRATICAMENTE DESPERCEBIDO.

UMA OUTRA PROVA É A PESQUISA REALIZADA E DIVULGADA PELA ABERGE SOBRE POLÍTICAS SALARIAIS DA COMUNICAÇÃO QUE TEM COMO BASE EMPRESAS COM BOAS COLOCAÇÕES NO RANKING DAS “MELHORES E MAIORES” DA REVISTA EXAME E AS “MELHORES EMPRESAS PARA SE TRABALHAR” DA REVISTA VOCÊ S.A. OU SEJA, ATÉ PARA PESQUISAS, O QUE IMPORTA É A ESCALA INDUSTRIAL E NÃO A REPRESENTAÇÃO DA GRANDE MAIORIA DOS PROFISSIONAIS DE COMINICAÇÃO.

DIANTE DE TUDO ISSO, RESTA O AMOR A IMPRENSA E A ESPERANÇA DE SE FAZER ALGO DIFERENTE, POR MAIS QUE A CADA DIA ISSO PARECE AINDA MAIS DIFÍCIL.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Mudança no consumo de informações

"Uma pesquisa que acaba de ser divulgada pelo instituto Pew Research Center for the People and the Press mostra que os consumidores de informações já não consomem passivamente as notícias publicadas pela imprensa e adotam cada vez mais uma postura investigativa e seletiva." (CASTILHO, Carlos in Mudança de hábitos de leitores gera novo desafio para as redações. Disponível em http://www.observatoriodaimprensa.com.br/blogs.asp?id_blog=2&id={F40BB051-9640-4FB3-8BA0-E24C9FC9816D} )

De acordo com a notícia publicada no site Observatório da imprensa, os leitores estão buscando diversas fontes para análise e formação de opinião, dentre elas estão os blogs.

Este fato mostra que a síndrome do último minuto não está consumindo todas as cabeças e mais: as pessoas não estão tão superficiais como muitos dizem.

Sabemos que a "hipermodernidade" tão falada por Baudrilard e Lipovetsky, tem suas características verídicas quanto a falta de aprofundamento geral em diversos assuntos, e na loucura da corrida contra o tempo, porém nem tudo está perdido, e nem a salvo.

Devemos entender que a internet por exemplo, é uma ferramenta que pode ser utilizada de acordo com a vontade de quem acessa:
pode fomentar entretenimento, superfuidade e também aprofundamento e pesquisa.

Portanto está na hora de deixarmos de culpar a época, pessoas e/ou tecnologias por atitudes que são nossas, por mais que hajam intereferências.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Mídia e acontecimentos

E o que acontece além das olimpíadas?
E as eleições?
E o show business?
Perguntas... sempre perguntas...

Para evitá-las ou excitá-las, cito trechos da Revista Caros Amigos
deste mês de agosto.
Comecemos por Feréz, no texto: "brazil for sale".

"o estilhaço do fuzil russo atinge a mulher, que nunca mais andará,
nem ficará ao menos de pé."
(...)
"Enquanto isso, perante uma câmera comprado com dinheiro que seria
usado para educação, a apresentadora vadia passeia pela favela e só
quer falar alegrias, como se fosse possível sorrir vendo o rato roer
seu único saco de arroz, que o ex-metalúrgico jurou que não ficaria
mais caro, mais ficou."
(...)
"A Legião da Boa Vontade compra até canal de televisão, mas não tira a
menina da rua.
"O caso Isabella chama atenção, pros políticos aprovar divisão do
décimo-terceiro salário em treze prestações.
(...)
Os três porquinhos do conto de fadas são presos, mas quem pede pra
sair são os delegados."
(...)
"Tudo é desculpa (...) pra honrar o dinheiro roubado do congresso,
talvez pra cobrir o escândalo do sexo".
(...)
"Vai entender, treinam o Saddam e o enforcam, vai entender"
(...) "e no bar a propaganda de cerveja mostra a mulher que o
computador corrigiu, que você olha sem parar enquanto não luta pra
fazer sua família funcionar. Aquela mesma mulher que toma
anticoncepcional e te espera toda noite com um prato diferente e com
um sorriso assim meio amarelo." (...)

agora, cito Gilberto Felisberto Vasconcellos, texto: "são paulo não
faz a cabeça de nova york":
"Depois de 1964, a direita nas ciências sociais, cacificada pelo
turismo acadêmico, teve por incubência mostrar que a felicidade do
povo brasileiro é multinacional ou não é felicidade".
(...)
"O subdesenvolvimento somente desenvolve o desenvolvido m escala
nacional e mundial".

e pra terminar, meu desabafo que não é meu, cito Mylton severino:
"o que seria desse jornalismo acovardado se não existisse o modo
condicional? Seus praticantes o inventariam;"
(...)
"a ditadura não acabou. (...) A existência de uma polícia "MILITAR".
Mundo afora, país civilizado tem polícia CIVIL. "

e eu lembro de Carlos Drummond de Andrade: " e agora José?"

quinta-feira, 24 de julho de 2008

Liminar contra Lei Seca

As liminares contra a Lei Seca concedidas em São Paulo e em Minas
geraram matérias na mídia contra e em favor de tal fato.

No último dia 22, lemos:" Um advogado recebeu liminarmente uma ordem
de salvo-conduto caso se negue ao teste do bafômetro em abordagem
policial. Com isso, não será obrigado a comparecer a repartição
policial, não será efetuada multa, não lhe será imposta penalidade
administrativa de suspensão do direito de dirigir e tampouco terá seu
veículo apreendido", no site
http://www.jusbrasil.com.br/noticias/74733/tj-ac-desembargadora-expede-liminar-contra-lei-seca-para-advogado-de-minas.

No dia seguinte, temos a matéria do jornal "Hoje Em Dia" disponível no
site da Associação Brasileira dos Restaurantes, disponível em
http://www.abrasel.com.br/index.php/atualidade/item/4661/. Nesta
matéria há uma citação do advogado que conseguiu a liminar em Minas
Gerais: "A minha intenção não é sair dirigindo embriagado, já que eu
não tenho este hábito, mas provocar uma discussão sobre as falhas na
Lei Seca", disse Leonardo Costa Ferreira de Melo. Se este foi
realmente o objetivo do advogado, ele conseguiu em parte.

Vários veículos de comunicação discutiram o fato da liminar concedida,
mas poucos discutiram o teor da lei. As matérias que circulam na
internet, de uma maneira geral ou condena a juíza que deu a liminar ou
o próprio advogado que a pediu. No entanto pouco se leu a respeito das
brechas que a Lei Seca (assim como tantas outras) possui. E quando
houve uma análise, os veículos de comunicação mostraram apenas um lado
da história, é o que acontece na matéria já citada do "Jornal Hoje em
Dia", onde se apresenta as lacunas da lei e procura-se argumentar que
por isso ela é falha: "Na ação, Leonardo alega que a liminar
preventiva é para garantir o seu direito de ir e vir. Para ele, além
de draconiana, "a lei é desastrada, injusta, inútil". Em suas
alegações, o advogado criticou o excessivo rigor da norma e as
arbitrariedades de sua aplicação", na matéria temos ainda:
"Desembargadores do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) têm
posições distintas sobre a legalidade da Lei Seca. Seis pessoas
entraram com o mesmo pedido feito pelo advogado Leonardo Costa e
tiveram as liminares negadas esta semana. Outras cinco ações pedindo a
suspensão da legislação para motoristas de Belo Horizonte estão sendo
analisadas".

As informações são interessantes para uma reflexão sobre o assunto, no
entanto em nehum momento foi mencionado o lado positivo da aplicação
da lei e a redução de acidentes que ela gerou, por exemplo.

Mais uma vez, percebemos um jornalismo parcial.
A minha intensão aqui é discutir o jornalismo nesta situação delicada
e importante.

é essencial que em situações delicadas como essas, sejam mostrados as
dificuldades na definição de uma lei que não haja como escapar dela,
as consequências deste fato e as opiniões contrárias ou não as
diversas situações que envolvem este fato. Ou seja, os jornais
deveriam mostrar em uma mesma matéria a opinião do advogado e da
juiíza que expediu a liminar, bem como àqueles que elaboraram a lei e
seus defensores, além dos cidadãos. Portanto, todos os lados deveriam
ser ouvidos, e isso mais uma vez não aconteceu.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

LEI SECA

A imprensa tem mostrado os bons resultados da Lei Seca quanto a diminuição de acidentes.
Até aí tudo bem. Louvável até, tanto o fato de se cobrir isso quanto o fato da dimnuição dos acidentes. Sinal que está surgindo efeito..

porém ninguém discute como está sendo feito essa fiscalização, tendo em vista a infra-estrutura policial que o país possui.
Eu me pergunto, como?